Crônica do Mês

Neste espaço, a cada mês, você poderá ler uma nova crônica de Luiz Otávio Dobal. Críticas e/ou Sugestões  devem  ser  endereçadas  por  e-mail.

O AZUL

 Luiz Otávio Dobal

Era um dia simples, comum, cotidiano, mas todos os dias começam assim. A diferença de um dia para outro é nossa capacidade de perceber que algo acontecerá para transformar esse dia num marco. Um dia tão especial que a partir daí você se transforma e sua vida passa a ser contada daquele ponto em diante, como se tudo antes desse dia fosse apenas antes. Naquela dia acordei assim, sem ver nada de especial, mas sentindo, Eu acordei e passei toda aquela manhã sentindo AZUL. O inexplicável é que não havia nos lugares onde estive, nenhuma predominância de azul, mas nas ruas cinzas, no asfalto negro, nos corredores brancos, eu sentia o AZUL.

Durante toda nossa vida assimilamos milhões de imagens, umas com maior nitidez, outras apenas como um flash. Porém aquele momento - que já aconteceu a tanto tempo! - permanece claro em minha mente, e lembro perfeitamente que não havia uma gota sequer de azul em todo o quadro. O AZUL estava em mim.

Na verdade, o que aconteceu é tão comum que acredito acontece a todo momento, com todas as pessoas, porém, só é importante, marcante, para aquelas que sentem o AZUL.

Ela apareceu na outra extremidade do corredor e caminhou em minha direção. Era apenas uma mulher bonita, mas a palavra linda se misturou a todo AZUL que eu sentia. Como disse antes, era um acontecimento comum a qualquer pessoa, nós havíamos nos conhecido alguns dias antes, passamos pela fase da paquera e iríamos nos encontrar para sair, nos conhecermos melhor. Mas, naquele momento aconteceu com toda intensidade o AZUL.

Ela é morena, estava com um vestido estampado vermelho e branco, com botões na frente, um cinto com uma fivela enorme, prendia sua cintura. Lembro particularmente dos botões, pois não há nada mais sexy que botões e o desejo de abri-los. Sua bolsa e sapatos combinavam com o cinto marrom. O corredor que parecia nos unir - quando você sente o AZUL até um espaço vazio une - era imaculadamente branco.

É claro que naquele momento me apaixonei. Os sentimentos, apesar de óbvios, tem sua compreensão demorada e equivocada, por isso é difícil explicar o AZUL. Aquele não foi só o momento em que descobri o amor e a mulher da minha vida, naquele instante começou o resto de toda a minha existência.

Cada vez que sinto seu toque, cada momento que divido com você, cada instante de nossas vidas, sinto a invasão do AZUL. E é tão bom se sentir assim... AZUL... AZUL...

 

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